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Métodos de avaliação da composição corporal no paciente oncológico

Atualizado: há 4 dias

Um dos guias da conduta do nutricionista na sua pratica clínica é a avaliação nutricional. Ela compreende a avaliação antropométrica, o exame físico e bioquímico, e os parâmetros dietéticos, como a quantidade e a qualidade da ingestão alimentar.


Dentro da antropometria encontram-se o peso e a altura, que fornecem o tão utilizado Índice de Massa Corporal (IMC= peso/ altura²). É fácil, rápido e barato, o que favorece sua aplicabilidade na prática hospitalar e em estudos populacionais. Entretanto, esse parâmetro não se correlaciona tão bem com a composição corporal do paciente, como a massa muscular, gordura e água corporal.


Com o aumento dos estudos nessa área, viu-se que a composição corporal é importante preditor de desfechos do paciente oncológico, com influência na tolerância ao tratamento, sintomas, toxicidades e até mesmo na sobrevida. Portanto, uma boa avaliação nutricional - com bons métodos de análise da composição corporal - é importante para a elaboração da conduta.


Existem alguns métodos que podem ser aplicados para estimarmos a composição corporal. Abordaremos aqui os mais relevantes para pratica clínica ambulatorial e o mais usual em estudos atualmente.


Bioimpedância

É um método rápido e não invasivo. Oferece dados além da composição corporal em si, como o ângulo de fase, que pode ser utilizado para avaliação de integridade das células e possui correlação com prognóstico do paciente oncológico. É necessário o preparo anterior ao exame, como evitar atividade física no dia e não estar no período menstrual; a presença de edema pode mascarar os resultados. Se possível, é importante que sejam respeitadas condições semelhantes à aferição anterior, caso seja repetida a avaliação: alterações entre períodos do dia (jejum/ após refeição) e nível de hidratação, interferem nos resultados.


Tomografia computadorizada

Junto com a ressonância magnética, são exames frequentemente realizados pelo paciente oncológico e um dos melhores métodos para avaliação da composição corporal. Por meio da imagem na região abdominal (corte transversal na terceira vértebra lombar), apresenta uma boa correlação da musculatura e gordura corporal total. Ainda tem sido usada com maior frequência em pesquisas, pois só é utilizada quando o paciente já possui o exame (devido exposição à radiação) e precisa de profissional capacitado e programas específicos para análise dos dados. Apesar dessas limitações, sua aplicabilidade em consultórios é promissora.


Dobras cutâneas

Feita com o adipômetro, com a aferição das dobras cutâneas em regiões como bíceps, tríceps, subescapular e supra ilíaco, estima a gordura subcutânea por cálculos específicos. Há limitação na sua aplicação com pacientes obesos e pode haver uma diferença nos resultados entre diferentes avaliadores, entretanto, possui boa reprodutibilidade com o mesmo profissional.


Circunferências

É um método simples e bom para comparar pequenas alterações do paciente. A circunferência da cintura é um indicador de gordura abdominal, com boa correlação com doenças cardiovasculares. Entretanto, em pacientes oncológicos pode ser limitada, caso apresente ascite (edema na região do abdômen). A circunferência da panturrilha apresenta boa correspondência com a massa muscular apendicular, com boa correlação clínica, principalmente em idosos.


O Instituto de Nutrição e Oncologia conta com mais de um método para a análise da composição corporal, como a bioimpedância tetrapolar, adipômetro e circunferências, além do treinamento em tomografia computadorizada.


Referências:

Ceniccola GD, Castro MG, Piovacari SMF, et al. Current technologies in body composition assessment: advantages and disadvantages. Nutrition. 2019;62:25-31.

Brown JC, Cespedes Feliciano EM, Caan BJ. The evolution of body composition in oncology-epidemiology, clinical trials, and the future of patient care: facts and numbers. J Cachexia Sarcopenia Muscle. 2018;9(7):1200-1208.

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