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GVHD e nutrição



A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH, em português ou GvHD, graft versus host disease, em inglês) é uma complicação importante após o transplante de células tronco hematopoiéticas (TCTH), um dos tratamentos possíveis para cânceres hematológicos. Podemos explicá-la como uma reação adversa da medula óssea infundida ao hospedeiro que gera uma grande resposta inflamatória.


Esta reação ao transplante pode ocorrer em vários tecidos diferentes, entre eles pele, fígado, pulmão, olhos e pode acometer todo o trato gastrointestinal. A nutrição possui um papel fundamental em dois momentos do GvHD, o primeiro é em diminuir a chance deste sintoma aparecer, e o segundo – em associação com o tratamento medicamentoso – auxiliar na resolução deste quadro, especialmente quando se manifesta no trato gastrointestinal.


Alguns estudos recentes vêm demonstrando uma associação da microbiota do paciente no momento do transplante e o acometimento do GvHD. Neste cenário, se faz muito relevante o papel do nutricionista, a fim de diminuir a chance deste sintoma ocorrer, lembrando que independente do local em que o GvHD se manifestar, o paciente tem uma diminuição importante na sua qualidade de vida e isso por si só pode influenciar no seu estado nutricional.


Um estudo pequeno, com 30 crianças de 2 a 17 anos, demonstrou que ao suplementar probiótico (Lactobacillus plantarum 1x108 UFC) 8 dias antes do transplante e 14 dias após o transplante houve uma menor incidência de GvHD. Por ser um estudo pequeno, ainda não é possível aplicá-lo para todos os casos, mas já indica a importância da imunidade estimulada pela microbiota intestinal nesse momento. O que podemos fazer a fim de modular essa microbita no momento do pré-transplante é garantir um aporte adequado de fibras alimentares, assim como uma alimentação rica em compostos bioativos e uma adequação no consumo hídrico para auxiliar uma modulação positiva da microbiota.


Outro papel relevante do nutricionista nesse cenário é quando o sintoma surge, especialmente no trato gastrointestinal. Ele pode ocorrem em diferentes intensidades, mas os sintomas mais comuns são: dor, diarreia, anorexia, dificuldade de deglutição e perda de peso (majoritariamente massa muscular). O primeiro sintoma que deve ser manejado é a perda de peso e de massa muscular, sendo importante, em alguns casos, iniciar uma suplementação para complementar necessidade calórica e proteica. Além disso nestes casos há um uso significativo de corticoides orais por período prolongado, medicamento que aumenta a perda de massa muscular. Ou seja, garantir um aporte calórico-proteico adequado nestes casos é essencial.


Alguns nutrientes têm se mostrado importantes também para o manejo do sintoma, entre eles podemos citar a vitamina A (especialmente nos casos de GvHD ocular), vitamina D, zinco, magnésio, potássio e ômega-3. Desta forma, esta complicação do transplante de medula óssea é complexa, sendo essencial o papel do nutricionista no manejo e controle do GvHD.


Referências:

Staffas et al. Blood 2017

Ladas et al. Bone Marrow Transplant 2016

Pereira et al. Biology of Blood and Marrow Transplantation 2020

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