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Dieta enteral: quando indicar



Em alguns momentos do tratamento, ou pela própria doença, o paciente oncológico pode apresentar baixíssima ingestão alimentar ou até mesmo contraindicação da via oral como forma de alimentação. Nesses casos, precisamos recorrer ao suporte nutricional, que inclui o aconselhamento nutricional, inclusão de suplementos orais e vias alternativas de alimentação, como a nutrição enteral ou parenteral.


O primeiro passo é a orientação nutricional, com manejo dos sintomas e adequação da consistência e densidade energética da dieta, seguida de suplementação via oral. Se mesmo assim o consumo alimentar permanecer inadequado, ou houver algum impedimento na ingestão alimentar pelo aparelho digestivo superior, na digestão ou absorção, a nutrição artificial deve ser indicada.


Caso o trato gastrointestinal esteja funcionante, o mais fisiológico e indicado é a via enteral ao invés da parenteral, devido a promoção da perfusão e manutenção da integridade da mucosa intestinal.


De acordo com a ESPEN e BRASPEN, a indicação para o início da dieta enteral é quando não há ingestão de alimentos por mais de uma semana ou menos de 60% das necessidades nutricionais por mais de 1-2 semanas. Quando a via oral for contraindicada ou não for possível, o início da terapia nutricional deve ser precoce, dentro de 48 horas.


O paciente oncológico apresenta diversas alterações metabólicas que podem contribuir com um desbalanço energético e proteico, favorecendo a perda de massa muscular e a desnutrição, que estão associadas com um pior prognóstico. Se deixarmos para iniciar a terapia nutricional quando o paciente já estiver desnutrido, a recuperação do estado nutricional é prejudicada. Ou seja, muito melhor prevenir do que tratar.


Com isso, as diretrizes recomendam que caso haja a previsão de um tratamento com forte impacto nutricional e que inviabilize a ingestão ou absorção adequada de nutrientes por mais de 1-2 semanas, é indicada a nutrição enteral de maneira profilática como, por exemplo, no tratamento dos cânceres de cabeça e pescoço e esôfago. Entretanto, cada caso deve ser analisado individualmente, conforme o quadro do paciente, tratamento e patologia, para que não haja uso indiscriminado da alimentação artificial apenas pelo diagnóstico oncológico generalizado.


Além de precisarmos saber quando indicar a dieta enteral, é importante sabermos quando não indicar:

· Pacientes em fim de vida, em que após decisão médica e da família visam-se medidas de conforto e medidas invasivas são evitadas;

· Obstrução intestinal;

· Isquemia intestinal;

· Choque severo;

· Hemorragia intestinal severa;


A dieta enteral envolve muitos aspectos. Além do custo, questões psicológicas podem fazer com que esta via seja deixada de lado e só utilizada em últimos casos.


É fundamental orientamos o paciente e familiares, e discutirmos o caso com a equipe multidisciplinar para favorecermos o bom estado nutricional do paciente e, assim, o tratamento.


Referências:

Arends J, et al. Clinical Nutrition. 2017.

BRASPEN J. 2019.

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