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Dieta enteral: como escolher? (parte I)


Um tema que pode ser de grande dúvida para o nutricionista é a terapia nutricional enteral no paciente oncológico. Há diversos tipos de dieta e métodos de infusão: polimérica ou oligomérica, sistema aberto ou fechado, contínua ou intermitente, através de seringas (em bolus)/ gravitacional/ com bomba de infusão.


Então como escolher?


Elencamos alguns pontos que são fundamentais para essa escolha e que podem te auxiliar na decisão:


· O primeiro passo a ser realizado é a avaliação nutricional do paciente e o cálculo das necessidades nutricionais. Com isso, já teremos noção se precisaremos de um grande volume de dieta para atingir a meta nutricional, se esta deve ser hiper ou normocalórica, hiper, normo ou hipoproteica;


· Localização e tipo do tumor, patologias associadas, ressecções cirúrgicas: na maioria dos casos, as dietas padrão são bem toleradas. Entretanto, esses itens podem interferir na digestão e absorção dos nutrientes, levando à necessidade de fórmula semi-elementar ou elementar, ou à necessidade de fórmulas específicas (para hepatopatia, renal, diabetes etc.).


· Posicionamento da sonda nasoenteral (SNE)/ ostomia: a posição influenciará o tipo de dieta a ser ofertado e velocidade de infusão:

- SNE posição gástrica/ gastrostomia: Quando não houver fatores adversos, a dieta em posição gástrica tem maior tolerância de volume e com isso é possível se atingir a meta nutricional mais rápido. A infusão intermitente por gotejamento ou por bolus pode ser bem tolerada, exige menos tempo para infusão e oferta maior flexibilidade ao paciente.

- SNE pós-pilórica/ jejunostomia: Essa posição exige uma infusão mais lenta, de preferência controlada por bomba de infusão. Em pacientes com risco elevado de aspiração, a BRASPEN recomenda a oferta da nutrição enteral de maneira contínua e em posição pós-pilórica.


· Restrição hídrica e tempo para infusão da dieta: esses são outros fatores que interferem na concentração da dieta. Caso o tempo para infusão da dieta seja limitado, e haja restrição de líquidos, provavelmente será necessário optar por dietas de maiores densidades energéticas.


· Intercorrência: a diarreia é um quadro comum, com indicação de dieta isenta de sacarose e lactose. Dependendo da etiologia, pode ser indicado módulo ou dieta contendo fibras solúveis e até mesmo probióticos. No caso da constipação, uma dieta rica em fibras também pode ser indicada.


· Condições financeiras/ recursos: em alguns momentos, pode ser que não consigamos trabalhar com os recursos ideais e precisaremos adaptar a nossa escolha à realidade da instituição ou das condições do paciente em cuidado domiciliar. Com isso, as versões em pó e a inclusão de módulos de proteína ou fibras podem auxiliar na adequação à individualidade do paciente.


Referências:

Arends J, et al. Clinical Nutrition. 2017.

National Cancer Institute. Nutrition in Cancer Care. 2020.

BRASPEN J. 2019.

BRASPEN J. 2018.

BRASIL. ANVISA. Resolução RDC Nº21, de 13 de maio de 2015.

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