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Dieta enteral: como escolher? (parte 2)



Continuando nosso estudo sobre a escolha da dieta enteral, vamos tratar agora da influência da fase em que o paciente se encontra na decisão de qual tipo adotar. Confira:


  • Estável em internação hospitalar

Esta geralmente é a fase mais fácil para decisão e cuidado, com disponibilidade de mais de um tipo de dieta pela maioria das instituições e até mesmo bomba de infusão. Há, ainda, a equipe de enfermagem e nutrição para auxiliar na manipulação e infusão da dieta.

  • Crítico

O início da nutrição enteral deve ser feito com cautela nesses pacientes, com uma oferta energética mais baixa. Em casos de risco de isquemia ou com dismotilidade intestinal importante, qualquer tipo de fibra deve ser evitado.


  • Período peri-operatório

Há fortes evidências, principalmente para pacientes com câncer do trato gastrointestinal superior, de que dietas imunomoduladoras, com ômega-3, arginina e nucleotídeos podem favorecer a redução de complicações infecciosas no pós-operatório.


  • Domicílio/ home care

No domicílio, muitas vezes não há um cuidador profissional capacitado para essas atividades e um membro da família fica responsável por essa tarefa. Quando as condições higiênicas para a manipulação e conservação da dieta, dos materiais, dos utensílios não são ideais, o tempo do cuidador é reduzido, entre outros empecilhos, estão presentes, precisamos pensar em um jeito de adequarmos a situação para garantir o melhor para o estado nutricional do paciente e evitar contaminações. Essas dificuldades podem ser contornadas com dietas em sistema fechado, que demandam menor manipulação, porém o custo é mais elevado. Caso haja um bom suporte de cuidado, a dieta enteral em sistema aberto (em pó ou líquida), intermitente (por gotejamento ou bolus), podem ser bem tolerados.


O estado nutricional do paciente oncológico interfere no prognóstico, na qualidade de vida e na tolerância ao tratamento. Além disso, há grandes evidências do aumento dos custos de saúde pública com a desnutrição, fazendo com que haja alguns programas governamentais para fornecimento de dieta enteral industrializada no domicílio.


Diante disso, há raras indicações de dieta enteral artesanal. Estas apresentam baixo percentual de adequação em relação ao calculado em macro e micronutrientes, assim como aumentam os riscos de contaminação e obstrução da sonda, por não apresentarem pH e viscosidade adequadas.


Em pacientes oncológicos crônicos em ambiente domiciliar, uma dieta mista (industrializada associada com artesanal) pode ser considerada em casos específicos, como na ausência de desnutrição, sem alta necessidade energética e baixo risco de lesão por pressão.


A terapia nutricional enteral precisa ser bem planejada, de maneira multidisciplinar, focando na individualidade clínica e psicossocial, para assim favorecer o estado nutricional e o quadro do paciente oncológico.


Referências:

Arends J, et al. Clinical Nutrition. 2017.

National Cancer Institute. Nutrition in Cancer Care. 2020.

BRASPEN J. 2019.

BRASPEN J. 2018.

BRASIL. ANVISA. Resolução RDC Nº21, de 13 de maio de 2015.


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