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Dieta enteral: como avaliar?



O maior objetivo com a terapia nutricional enteral para o paciente oncológico é manter ou recuperar o seu estado nutricional e favorecer o tratamento e prognóstico. Entretanto, caso não seja bem planejada ou haja complicações como diarreia e até mesmo a síndrome de realimentação, o efeito pode ser o oposto do esperado.


Portanto, é importante avaliarmos a tolerância do paciente à dieta recebida e se esta está adequada à sua fase de tratamento e seu quadro atual.


Separamos alguns pontos a serem avaliados:

  • Avaliação nutricional: é fundamental registrar a avaliação do estado nutricional do paciente por meio de ferramentas próprias (ASG-PPP, GLIM, etc) e com as medidas antropométricas (peso, estatura e circunferências), referidas ou estimadas, para classificação do estado nutricional, cálculo das necessidades energéticas e posterior reavaliação, imprescindível para monitoramento da efetividade da terapia nutricional enteral.

  • Parâmetros clínicos e físicos: são fatores básicos a serem analisados e que refletem o quadro do paciente, podendo indicar um estado crítico com necessidade de alteração, redução ou até suspensão da dieta, tais como frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, glicemia, edema ou desidratação, diurese (volume e aspecto), balanço hídrico, distensão abdominal, náuseas e êmese.

  • Função intestinal: este parâmetro recebe uma atenção especial pela nutrição pois é um dos pontos que mais sofre interferência pela dieta e pode ser modulada com a alteração da fórmula ou inclusão de módulos. Entretanto, precisamos avaliar junto com a equipe multidisciplinar se há interferência medicamentosa (ex: antibióticos, quimioterápicos, opioides) ou da própria patologia.

  • Exames laboratoriais: como rotina, sempre que possível deve-se monitorar o hemograma, função renal e hepática, os níveis de elementos traço e vitaminas. Antes de se iniciar a terapia nutricional em pacientes gravemente desnutridos ou em alguns dias de ingestão alimentar mínima, é importante dosar fósforo, potássio, magnésio, sódio e cálcio, para avaliação da síndrome de realimentação. Este quadro não é incomum em pacientes oncológicos e o início brusco da alimentação artificial pode levar à distúrbios hormonais e metabólicos induzidos pela dieta, com redução dos níveis de fósforo, potássio e magnésio, além de possível desequilíbrio de sódio e fluidos.

  • Volume infundido x prescrito: algumas intercorrências como diarreia, náuseas, vômitos, distensão abdominal e perda da sonda, ou procedimentos médicos, de enfermagem, fisioterapia e exames, fazem com que a dieta seja interrompida e não seja fornecido todo o volume prescrito. Essa informação permite que se avalie se as necessidades de nutrientes estão sendo atendidas e se são suficientes para o paciente.

  • Caso o paciente continue a apresentar perda de peso, é recomendado que se avalie quadros desabsortivos ou hipercatabólicos. Se disponível, o mais indicado para o cálculo do gasto calórico em pacientes oncológicos, devido a alteração no metabolismo energético, é a calorimetria indireta. O resultado da necessidade calórica deve ser frequentemente ajustado com base nos sinais clínicos.


A frequência do monitoramento varia conforme a fase do paciente (crítico, pós operatório, estável, etc) por meio de visitas à beira do leito, com investigação da tolerância à dieta, observação dos sinais e sintomas e avaliação dos exames laboratoriais.


Todas essas informações devem ser registradas no prontuário do paciente. O monitoramento desses dados permite que haja a comparação e quantificação das perdas ou ganhos, manutenção do equilíbrio metabólico, detecção precoce de complicações e adaptação da conduta conforme a fase em que se encontra.


Referências:

  • Arends J, et al. Clinical Nutrition. 2017.

  • BRASPEN J. 2019.

  • BRASPEN J. 2018.

  • ASPEN JPEN. 2017.

  • INCA, 2015.

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