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Como evitar a desnutrição no Câncer de Pulmão

Atualizado: Out 20



Agosto branco é a campanha para prevenção e conscientização sobre o câncer de pulmão. No mundo, este é o câncer que apresenta a maior incidência e mortalidade! Já no Brasil, é o terceiro mais incidente entre homens e o quarto em mulheres. Por estar, em sua maioria, relacionado com o tabaco e sua exposição passiva, o câncer de pulmão poderia ser evitado com mudanças no estilo de vida.

Causas e consequências

Este é um câncer que apresenta um grande impacto no estado nutricional do paciente, sendo um dos mais prováveis de levar à caquexia (quadro de desnutrição grave associada à inflamação). Isso ocorre porque há uma grande demanda energética pela doença e geralmente o diagnóstico oncológico é tardio. Além do gasto energético aumentado, os pacientes frequentemente apresentam anorexia (falta de fome), o que contribui ainda mais para perda de peso.

Junto à anorexia, a alteração do paladar e do olfato também podem estar presentes durante o tratamento quimioterápico. Na radioterapia em região do tórax, pode haver esofagite (inflamação no esôfago) – o que causa dor ao engolir os alimentos - e disfagia (engasgos com a alimentação). Esses sintomas agravam a perda de peso pela dificuldade em manter a ingestão alimentar na quantidade adequada.

A desnutrição pode estar presente de 40% a 60% dos casos de pacientes com câncer de pulmão, o que piora a resposta ao tratamento, interfere na qualidade de vida e sobrevida dos pacientes. A combinação da orientação com a intervenção nutricional pode melhorar a função respiratória, funcionalidade do paciente e sua qualidade de vida, assim como favorecer a menor incidência de sintomas adversos com o tratamento, ansiedade e depressão.

Todos esses fatores fazem com que seja de grande relevância a prevenção do câncer de pulmão e a desnutrição decorrente dele.

Como evitar

· Primeiro, é importante que o paciente e aqueles que o acompanham façam uma avaliação do peso, verificando se houve emagrecimento. Esse sinal pode vir antes mesmo da redução na ingestão alimentar.

· Caso alguma alteração na ingestão alimentar seja observada, é importante procurar um nutricionista oncológico para a intervenção nutricional precoce. Estudos mostram que quanto antes houver a abordagem, mais efetivo será para evitar a perda de peso.

· Mesmo sem apetite, busque comer várias vezes ao longo do dia, ainda que em pequenas porções. Isso evita a necessidade de concentrar toda a recomendação energética do dia em 2 ou 3 refeições, o que pode levar a sensação de empachamento e má digestão, além do estresse que pode ser gerado no momento da refeição por se sentir pressionado a comer grandes quantidades de comida.

· Procure, também, consumir as proteínas de forma fracionada, de preferência em todas as refeições. Além de não sobrecarregar a digestão, isso favorecerá a manutenção da massa muscular.

· Aumente a densidade calórica dos alimentos, ou seja, prefira aqueles que forneçam mais energia em menos volume (Ex: acrescente azeite de oliva nas preparações depois de pronto ou faça vitamina com mais de uma fruta).

· Se a ingestão alimentar estiver insuficiente, pode ser necessário iniciar a ingestão de um complemento nutricional hipercalórico e hiperproteico, de acordo com a avaliação do nutricionista. No paciente com câncer de pulmão, os complementos enriquecidos com Ômega 3 podem atenuar a fadiga e a falta de fome, assim como favorecer a preservação de massa magra e a melhora do estado nutricional.

Vale lembrar que é importante a avaliação específica por paciente. Procure um nutricionista oncológico, ele te orientará de maneira individualizada e realizará as intervenções conforme a sua necessidade.

Referências:

Globocan, 2018.

INCA, Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil.

Phillips I, Hug A, Allan L, Ezhil V. Dietetic assessment and intervention in lung cancer. Curr Opin Support Palliat Care. Dez 2019;13(4):311-315.

Wang J, Xu H, Zhou S, et al. Body mass index and mortality in lung cancer patients: a systematic review and meta-analysis. Eur J Clin Nutr. 2018;72(1):4-17.

Trestini I, Gkountakos A, Carbognin L, et al. Muscle derangement and alteration of the nutritional machinery in NSCLC. Crit Rev Oncol Hematol. 2019;141:43-53.

Sánchez-Lara K, Turcott JG, Juárez-Hernández E, et al. Effects of an oral nutritional supplement containing eicosapentaenoic acid on nutritional and clinical outcomes in patients with advanced non-small cell lung cancer: randomised trial. Clin Nutr. 2014;33(6):1017-1023.

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